terça-feira, 16 de março de 2010

"A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende." (Arthur Schopenhauer)



Eu não sei vocês, mas eu, pelo menos, amo música! Fico simplesmente extasiada quando as melodias atravessam o meu canal auditivo. Mas eu amo música boa. Música de qualidade. Música que, definitivamente, DÊ pra se ouvir. Sou bem eclética, admito. Mas há algumas coisas por aí... que eu prefiro mesmo chamar de "coisas", porque músicas não não; nem nunca vão ser, diga-se de passagem. Mas, ok, cada um com seu gosto (e que péssimo gosto alguns têm!). Tenho uma paixão demasiada por músicas que tocam a alma. Sim! Música é muito de alma! Como bem disse, um dia, o escritor Rubem Alves: "Toda alma é uma música que se toca". Você pode até admirar uma boa composição, um bom arranjo, uma boa interpretação... mas se a música não tocar a sua alma, fica por ali, na admiração mesmo. Mas se ela tocar... digo: se você bater o olho e pensar: "Para tudo! Essa música foi feita pra mim!", ah, meus caros, aí tudo muda. O Universo inteiro conspira a favor. É questão de se identificar. De tocar a alma, como eu venho dizendo. Isso não quer dizer que eu deixe de comprar Cds, porque nenhuma música me tocou e nem pareceu ser feita exatamente pra mim. Isso seria uma asneira tamanha! Mas é que quando existe essa música, que parece ter sido inspirada na sua vida, a sua vontade de comprar é muito maior. Você tem a sensação de que o seu dinheiro foi mais bem empregado, exclusivamente por causa daquela canção. Não sei explicar muito bem. Mas Chico Buarque saberia...
Eu posso dizer, com toda certeza, que pra cada fase, pra cada etapa, pra cada acontecimento da minha vida existe uma música! Há músicas que, quando eu ouço, eu lembro exatamente de algum fato marcante que me aconteceu. É instantâneo: ouvi - lembrei. E aposto que com você acontece o mesmo! "A música cria um passado que ignorávamos" (Oscar Wilde). O engraçado é que, ao ouvir, e até mesmo ao ler certas músicas, a gente acaba achando que o compositor as compôs pensando na gente, no nosso dia-a-dia, na nossa situação vivida, não é? Às vezes isso até me impressiona.
"Como assim?! Por que ele está falando isso?! Impossível! Isso aconteceu comigo! Chico Buarque anda investigando minha vida, e eu não sei?!". Tudo bem, segunda vez que falo de Chico Buarque. Preciso revelar: amo Chico! Gente, parece que esse homem me entende em todas as situações! Sempre que ouço uma música sua, que retrata exatamente o que eu estou passando, o pensamento vem automaticamente: "É, Chico, só você pra me entender." Mas, é claro, Chico é apenas uma de minhas preferências. Não gosto muito de fazer citações, porque sempre me esqueço de algo/alguém, e acabo me arrependendo depois. Mas posso dizer que não há nada como uma MPB, uma Bossa Nova, um Samba de Raiz... e por que não um Rock?! (Mas rock bom, tá, gente?! Por favor!)
Jurei, antes de começar o texto, que não iria revelar minhas preferências. Mas isso é um feito quase impossível, pelo menos pra mim, quando o quesito é música. Por isso, desculpem-me! Mas aí estão minhas seleções de gêneros musicais. E, afinal, pra que esconder, não é mesmo? Já diz o ditado: "Gosto é que nem...", bom, melhor parar por aqui.




sábado, 13 de março de 2010

"Pra poesia que a gente não vive transformar o tédio em melodia." (Cazuza)




Todo dia a gente vê propagandas na televisão, recebe folhetos na rua, ouve alguém falar: Diga não às drogas! Diga não ao álcool! Diga não à isso, diga não àquilo. Por isso eu me senti no direito de, hoje, aqui, lançar uma campanha: DIGA NÃO AO TÉDIO!
Essa é pra todos que, assim como eu, estiverem se sentindo completamente, exageradamente - e por tempo indeterminado - entediados.
Vou confessar à vocês: ano passado eu reclamava da minha rotina, achava que tudo era muito cansativo. Todos os dias, ao acordar, minha mente era condicionada a pensar: "Ah, não! Tudo de novo hoje...". Então, por achar que eu estava me desgastando demais, por não concordar com tamanha agressão ao meu dia-a-dia, resolvi mudar a situação que tanto me incomodava: o habitual itinerário. Mudei. Abri 2010 com uma rasteira, um short e uma blusa 3/4 branca, pulei as 7 ondas e me fiz o juramento de que este ano ia ser diferente! Até agora, pelo menos, tudo está acontecendo de forma bem diversa do ano que passou. Principalmente quanto ao quesito que mais havia me causado incômodo em 2009: a droga de rotina!
Uma sinopse: Larguei dois trabalhos e parei a academia. Continuei na faculdade, no curso de inglês e concentrei as aulas de dança que eu dava em uma Academia todas para a Sexta-Feira.
Resultado: manhãs livres. Tardes de Terças e Quintas totalmente livres.
Ah, como era bom! Eu me sentia excessivamente aliviada. Parecia que 50 kg haviam sido retirados das minhas costas. A PRINCÍPIO. Há algo que nós não podemos negar: quem já se adaptou à rotina, por mais que reclame ininterruptamente, por mais que tenha uma ânsia infidável de sair de todas as suas atividades, por mais que viva dizendo "Que vontade de jogar tudo pro ar!" (típica frase de pessoas que sofrem de SR - Síndrome da Rotina) NUNCA irá se acostumar, pelo menos não por muito tempo, à vida ociosa. A pessoa se torna dependente. Necessita de um "veneno anti-monotonia", como diria Cazuza. Então eu vos digo, meus caros: se antes eu achava que fazer muita coisa era chato, agora eu tenho certeza de que fazer NADA é muito pior! O tédio é a coisa mais chata de todas as coisas mais chatas do mundo! Se é que vocês me entendem. É uma procura do que fazer que não acaba mais! Você inventa, inventa... mas parece que toda criatividade é exímia diante de tanto tempo que lhe sobra! Aliás, não parece. É. É e vai ser sempre. E só agora eu percebi. Definitivamente, desencantei-me. Pensei que uma pitadinha de tédio fosse me fazer descansar e, até mesmo, revigorar. Mas vi que não. Por isso, cá estou, tentando, DESESPERADAMENTE, voltar à minha velha e boa rotina, proclamando e divulgando, com toda intrepidez de minha parte, a campanha "DIGA NÃO AO TÉDIO!" ;)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

"Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença." (Anatole France)



Quantas vezes descobrimos fatos totalmente desagradáveis? Quantas vezes passamos por momentos descontentes? Quantas vezes nem sabemos por que eles estão acontecendo? Sempre. A vida inteira. Uma vez, duas vezes, três vezes... cem vezes! Não precisa ser rotineiramente. Só precisa acontecer, pra que você já sinta o baque (e ele é forte). O engraçado é que nós, mesmo tendo que lidar tantas vezes com eles (quase melhores amigos), não conseguimos preveni-lo, tampouco remediá-lo. Outra coisa: os episódios podem se repetir inúmeras vezes, mas nós nunca vamos conseguir prender o sentimento que nos passa. Nós somos seres humanos! Será que é difícil compreender?! (E olha que, pra muita gente, é.) Mas o pior de tudo (ainda tem pior?!), é quando não sabemos nem o motivo de certas coisas estarem acontecendo... isso sim é uma tremenda falta de respeito! Quer dizer que a pessoa começa a te tratar com um grau de indiferença tamanho , o clima fica totalmente nostálgico (pelo menos pra você), e VOCÊ NÃO SABE NEM O PORQUÊ! E é neste exato momento que você começa a fazer mil perguntas: será que algo de errado está acontecendo comigo? Por que esta pessoa está me tratando deste jeito? (...)e as indagações só aumentam, aumentam... e você acaba sem respostas. Tudo porque você não tem uma droga de coragem pra chegar e "colocar as cartas na mesa", pra abrir o jogo, pra "chegar, chegando", pra saber, de uma vez por todas, o que está acontecendo. Eu seu, eu sei... aliás, nós sabemos! O certo seria que a pessoa que está lhe causando tamanha revolta viesse falar com você a respeito. Viesse expor seus sentimentos. Viesse expor sua visão. Viesse falar, claramente, com todas as letras, o que está se passando. MAS ISSO NUNCA ACONTECE! Geralmente, elas pensam que ignorar os fatos irá alterá-los. Que a indiferença faz a força! Mas que força?! Força que não dá nem coragem pra ela vir te dizer o problema! (Isso porque eu achava que eu é que não tinha toda esta bravura, toda esta audácia). Mas, ok, chega um momento em que um dos dois tem que tomar uma decisão. E, quase sempre - isto é certo -, quem toma esta bendita decisão sou eu, é você, somos nós. (Sempre o lado que está quase pra explodir de tanta ignorância, pois não tem conhecimento de nenhuma ocorrência, que diz respeito á sua própria vida!) Caso contrário, a situação sempre fica ali, enjaulada, aprisionada, ENGASGADA. E é como eu estou agora: ENGASGADA! É bem parecido com um caroço de azeitona preso em sua garganta. Mas ele está quase pra sair. Basta um apertãozinho, um pequeno esforço, pra ele voar em direção à alguém. É a mesma coisa. Igualzinho. Qualquer palavrinha mágica pode desencadear um falatório sem fim. E está quase pra acontecer. É difícil passar por situações desagradáveis. É difícil não saber o que fazer. É MUITO difícil passar por isso sem nem saber a razão. Mas o mais difícil de tudo isso, é tratar a pessoa com a mesma indiferença que ela te trata; é ter que fingir que está tudo bem, quando não está. Indiferença dói.

Achei este texto navegando pela internet...
como ele traduz tão bem tudo aquilo que eu tentei dizer há pouco.
Espero que vocês gostem! =)

O contrário do Amor - Martha Medeiros

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.




terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O grande prazer da vida é...?

Há muito eu vinha buscando respostas pra algumas perguntas guardadas com imenso sigilo dentro do meu coração (a parte mais importante do meu corpo, eu diria). Não que caso eu falasse, revelasse, ou até mesmo comentasse com alguém, isso fosse me trazer consequências seríssimas. Optei pelo segredo absoluto, porque sempre quis que estas respostas fossem dadas pela vida. Sempre fui de pagar pra ver. De dar a cara à tapa. De esperar o inesperado. Sempre gostei do improvável, do esquisito. Pessoas e coisas excêntricas sempre me atraíram. Não gosto muito dos padrões convencionais. E acho que é justamente por isso que a espero a vida me trazer respostas. Eu poderia me contentar com uma frase feita, com um argumento excepcional, com um conselho sem igual. Mas não. Eu simplesmente não consigo! É bem mais forte do que eu. Pode parecer tentador, a princípio, admito. Mas eu (quase) sempre prefiro aguardar. Já disse e repito: gosto de pagar pra ver! Essa é a coisa bonita da vida! Pressa demais, curiosidade demais, sossego pra respostas óbvias demais me cansam! Isso devia ser abolido! Tente, ao menos uma vez, ter um pouco de calma. Espere um pouco. A inquietude vai querer tomar conta de você, vai querer te dominar. Isso é quase impossível de não acontecer. Mas aguarde! O resultado há de ser muito melhor. Você vai sentir o sabor gostoso, delicioso e surpreendente de uma espera. Você chega a pensar que é até uma surpresa, e acaba se perguntando: "o que eu fiz pra merecer tudo isso?!". O tudo que antes era nada. Falo isso, porque já tive várias provas. Ou melhor, já provei várias vezes do prazer da descoberta. E cada vez tenho comprovado mais. Não é a toa que, há pouco, ganhei novas respostas vigorantes da vida. Sempre quis saber o que era o amor... o que era ser amada. E a vida acabou me esclarecendo. E, sabe, ela não me enviou uma resposta por escrito, não me mostrou algo sobrenatural, tampouco me sussurrou o que fazer. Ela me respondeu - e me convenceu - do modo mais espantoso, surreal e perfeito possível: deu-me alguém para amar.





















segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"Amar é querer estar perto, se longe; e mais perto, se perto." (Vinícius de Moraes)

Ele apareceu na minha vida de repente. Passeou por ela durante um tempo. Parecia confuso, sem saber muito bem o que queria. Na verdade, nem eu sabia muito bem o que queria nesta época. E acho que esse foi um fato determinante pra que tudo acontecesse. Porque se eu fosse fazer um balanço, diria que ele era a pessoa errada, na hora errada e que tinha tudo pra dar errado. Mas balanços nem sempre nos servem de muita coisa. Bom mesmo é pagar pra ver. E foi o que eu fiz. Eu o transformei na pessoa certa, na hora certa e que me mostrou todos os motivos deste mundo pra que nós déssemos certo. E desde o instante em que isso aconteceu, eu passei a não responder muito por mim. Eu que sempre fui desconfiada, que sempre demorei pra me entregar, pra entregar o meu coração (se é que um dia o entreguei a alguém), senti-me desfalecida... como se tivesse experimentado uma droga, e esta acabara de me corromper, deixando-me totalmente sem escolha: ou eu continuava usando... ou eu continuava. Era simplesmente viciante, muito mais forte do que eu! E logo eu, que sempre fui tão pé no chão, tão dona da minha vida... via-me, agora, como uma criança recém-nascida: totalmente dependente. Eu que sempre pensei em encontrar alguém especial, com quem eu pudesse COMPARTILHAR minhas alegrias, minhas tristezas, minhas vitórias, meu stress... mas que nunca poderia imaginar que boa parte das reações da minha vida, a partir de então, fosse depender exclusivamente dele. Logo eu... que sempre fui tão firme, tão forte e tão segura, observava-me como uma pessoa à beira de um penhasco, desesperada, pedindo socorro. Mas logo eu, que sempre fui tão inconstante! Que sempre enjoei de tudo e de todos com a maior facilidade... sentia-me, desta vez, completamente extasiada, como se tivesse experimentado o melhor doce da minha vida! (E eu que nem gosto muito de doces...) E, de fato, eu o experimentei. Provei - e saboreei - o lado mais doce da vida. E, querem saber? EU AMEI. (E continuo amando...)